Publicado por: bardouro | 17/05/2017

As ci(u)meiras do Futebol

De repente o tecto ameaçou desabar, tal o estardalhaço feito por alguma comunicação social, que viu na reunião entre os directores de comunicação do Sporting e FC Porto, uma clara aliança dos dois clubes “perdedores” contra o super dominador Benfica.
Chorou-se baba e ranho, tocaram-se as trombetas e os sinos a rebate. Havia que clamar ao mundo do futebol que esta aliança era para impedir o Benfica de continuar a ter êxito.
Neste êxito, incluímos as duas frases que construíram este polvo tentacular que vai dominando o futebol português, que é bem pior que o famigerado “sistema”.
Em 2005 afirmou, Para o Benfica os lugares na liga são mais importantes que os bons jogadores”, onde o Leal mas também Cunha, dominava a Liga do fragilizado Valentim Loureiro, para uma ano depois (2006) a Liga ser comandada pela “marioneta” Herminio Loureiro, com o “justiceiro” Ricardo Costa na Disciplina.
Mais tarde, a frase Colocar as pessoas certas nos locais certos”, prometia que as “cunhas” tivessem sucesso, com os “tentáculos” a abrangerem a FPF, a Liga, o IPDJ, os CTT e outros organismos e instituições.
Aliás o poder é tanto que até o “pai” da cartilha abre a janela para o mundo “Não podemos reagir ao empate contra o Setubal, dando a impressão que o Benfica está a perder poder”, conforme foi instruído aos comentadores encarnados, na cartilha da semana 3 que foi uma das muitas denunciadas pelo Universo da Bancada do Porto Canal.

Mas voltemos ao tema das “Santas Alianças”
Esqueceram-se os “jornais do regime” que estas alianças para impedir a hegemonia do clube dominante, têm origem com Luís Filipe Vieira, que tomou posse em 2003 e nestes 14 anos só não conseguiu acordo com Bruno de Carvalho, mesmo com a cunha de Nélio Lucas da Doyen…

… apesar do presidente sportinguista ter afirmado que LFV lhe tinha proposto a alternância na conquista de títulos que designou como “Santa Aliança”.
Mas, como se prova abaixo, o presidente encarnado fez acordos estratégicos com todos os presidentes leoninos, desde que chegou à presidência do Benfica.
Em 2005 Dias da Cunha e Vieira tinham estado juntos a almoçar no hotel Ritz, juntamente com o presidente do Belenenses Sequeira Nunes, com o propósito de divulgar o “Manifesto”, que visava o bem do futebol português.

Mais tarde, no final de 2007, passou-se do oito ao oitenta: Soares Franco e Luís Filipe Vieira aceitaram tirar uma fotografia num almoço mantido em Paço de Arcos e fizeram capa do jornal A Bola, que curiosamente, ou talvez não, esteve na génese da “aliança”.   

Em Abril de 2010, Fernando Gomes, candidato à presidência da Federação, conseguiu juntar Bettencourt e Vieira à mesma mesa, no hotel Altis, pois havia uma causa em comum e a verdade é que os choques entre os dois clubes amenizaram. Mas, face à convulsão interna nos leões, o Benfica virou atenções contra o rival do Norte.

Em 2011, data da chegada de Godinho Lopes à presidência do Sporting, almoçou no Tivoli com Luis Filipe Vieira, para abordar o desenvolvimento do futebol português e os pontos da indústria que poderiam ser melhorados.  Estrategicamente, nesse almoço, alguém passou cá para fora essa imagem de trabalho conjunto, que rapidamente foi “atacado” pelas televisões.

Mas estas alianças não partem só da iniciativa dos dois clubes, pois Nuno Lobo, presidente da Associação de Futebol de Lisboa, reuniu num hotel da capital o representante do Benfica, Rui Gomes da Silva e do Sporting, Luís Duque (escolhidos pelas SAD’S dos dois clubes), logo após a sua eleição.
Mas, se o seu programa eleitoral já era arrojado, tinha no entanto um objectivo bem definido, proteger os dois clubes de Lisboa, para que eventuais conflitos entre ambos não beneficiem FC Porto, porque pretendia que “Lisboa tenha uma só voz e seja uma muralha na defesa dos seus clubes e da verdade desportiva.”

Como ficou demonstrado, as cimeiras do futebol português em hotéis da capital, já vêm de longe, lamentando que as “memórias curtas” de alguns jornalistas, os do regime claro, resvalassem para a ci(u)meira habitual.
Memória curta, hipocrisia ou tiques “salazaristas”?
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